O que a Arquitetura Corporativa tem a ver com Você? Ep. 02 – José Jimenez

Conta um pouco pra gente sobre como começou sua carreira até que você chegou à arquitetura corporativa?

        Bem em 2020 completei 35 anos de carreira, e creio que ninguém terá muita paciência para ler um texto tão longo, assim vou iniciar essa trajetória a partir de 2001, quando assumi a Diretoria de Consultoria da IFS Brasil, após ter passado por consultorias como Andersen, Trevisan e projetos de DownSizing na área de TI. Essa época é marcada pela implementação dos ERP após o famoso, alardeado e custoso “BUG do Milênio”. Nessa época muitas empresas internacionais, principalmente as detentoras de ERP, abrem seu capital estimuladas pelos mercados financeiros e fundos de pensão que vêm no segmento de TI, expansão e alta rentabilidade. Esse foi o caso de empresas como: SAP, ORACLE, BAAN, IFS, People Soft, entre outras. A famosa empresa alemã SAP, suportada pelo seu sucesso no mercado Europeu e Americano, entra em mercados emergentes como Brasil, na modalidade “BIG BANG”, que de uma maneira sutil, representava substituir toda e qualquer solução operacional de TI pelo seu ERP. Para combater essa estratégia radical, a empresa sueca IFS, apresenta seu ERP com todos os seus modelos de negócios mapeados ao nível de atividades, permitindo assim que os clientes decidirem o que manter e integrar a sua solução. Essa estratégia foi muito bem recebida pelo mercado, fazendo que a IFS crie uma unidade de negócios para manter e atualizar os modelos mapeados. A ferramenta criada pela IFS recebeu o nome de Business Modeler, nela além dos modelos de negócio, o cliente encontrava a metodologia de implementação e todos os treinamentos em modelos digitais. Assim o Business Modeler era utilizado em todo ciclo comercial, na implementação do ERP e na manutenção da solução. Creio que esse representou o primeiro contato com a Arquitetura Corporativa, com ênfase na Arquitetura de Negócios e Aplicações, já que todas as especificações funcionais, em eventuais customizações do ERP, eram modeladas, documentadas e gerenciadas pelo Business Modeler. A IFS foi a primeira empresa a utilizar orientação a objetos no desenvolvimento de suas soluções, e os conceitos de gestão da complexidade via particionamento e reaproveitamento eram mantras presentes em todas as etapas de comercialização, implementação e manutenção da solução pela IFS.

Qual sua maior conquista utilizando a arquitetura corporativa?

        Em 2008 tivemos um grande projeto em uma Cervejaria, que havia passado por um problema muito sério após upgrade do seu ERP, ocasionando paradas e instabilidade operacional. Toda essa instabilidade ocasionou uma forte reorganização da equipe de TI, sendo substituído mais de 50% da operação TI. Sofrendo essa pressão, a nova equipe de TI, mesmo tendo uma metodologia proposta pelo seu provedor do ERP, não se sentia confortável com o método e procurava alternativas para um realizar novo upgrade que se avistava no próximo ano. Nessa procura por alternativas, o Gestor da TI, havia recebido referencias positivas da eVOLVE em 2 projetos de migração para SAP de duas Farmacêuticas, onde conceitos de Arquitetura Empresarial haviam sido utilizados. Aberto ao uso dessas práticas, a equipe de TI e eVOLVE, buscaram desenvolver o projeto, reforçando comunicação e controle, utilizando-se da ferramenta QualiWare para capturar requisitos, desenvolver especificações funcionais, adequação dos processos e gestão dos entregáveis. Aproveitando a capacidade de desenvolvimento do QualiWare, criamos módulos da solução para uma gestão totalmente integrada do projeto. Esses módulos foram tão bem aceitos que foram utilizados pela QualiWare para criação dos atuais módulos de QEP, GWE e Analytics. O projeto foi tão bem sucedido que sua metodologia e ferramentas foram adotados para realização de qualquer processo de mudança da equipe de TI da Cervejaria. Esse método suportou a equipe de TI da Petrópolis, até sua terceirização que ocorreu 3 anos após. Quero aproveitar e agradecer a todos os envolvidos que apoiaram essa transformação.

Como você acredita que será a arquitetura corporativa em 5 anos?

        Bem nos dias de hoje falar de 5 meses de transformação já é uma ousadia, imagina 5 anos. Assim eu vou me focar naquilo que estamos passando hoje e que suportam muito os modelos agile. O aumento na frequência das entrega, proposto pelos projetos agile nas sprints, não são apenas para garantir um feedback mais rápido, mas é também para testar se a solução proposta é eficiente. Nos dias de hoje os problemas cada vez são menos Intelectivos e passam a ser mais Subjetivos. Cada vez menos temos problemas de respostas absolutas e únicas (Intelectivos). E essa ausência de respostas que saibamos ao problemas, nós da apenas uma opção: “Testar a solução proposta para saber do resultado”. Assim valores como reutilização, análise de contexto, não são exigências de uma gestão gourmet, são vitais para qualquer negócio. Não ter nas pontas dos seus dedos informações sobre seus serviços e impactos gerados quando uma nova varável de mercado aparece ou quando uma nova regulamentação é o mínimo para não quer ser atropelado por uma start-up. Vamos fazer uma reflexão rápida pegando 2 eventos recentes – LGPD e Pandemia do Corona Vírus. Quem enfrenta melhor esses eventos, um varejista que entendeu o conceito de omni-chanel e reorganizou seu negócio para isso, ou um que resolveu investir exclusivamente em lojas físicas e colocou uma página no facebook apresentando a marca, acreditando que seu cliente é fiel? A verdade é que ninguém mais conhece verdadeiramente seus clientes, e precisamos desenvolver e testar modelos. Estamos dentro da Banheira de Taylor, e precisamos reorganizar e repensar novos modelos de negócio com uma agilidade muito maior do que fomos estimulados nos últimos 20 anos. Taylor nos ajudou com muitas repostas que hoje já não valem mais. Não ajuda só colocar BiG Data se isso não transforma ou inova seu modelo de negócio. Nossos modelos organizacionais hierárquicos não respondem para um negócio a onde o pensamento foi para linha operacional. Buscar produtividade pela padronização é importante, mas inovar é o foco. As barreiras de novos entrantes já não existem mais. Ter ideias, criar novas soluções esse é o foco, e isso é exclusivamente humano. E as ideias nos serem humanos são estimuladas, e no meu entender esse é o papel essencial da Arquitetura Empresarial, mostrar o contexto e estimular seus usuários para que esses possam ter mais ideias para que essas possam ser testadas e validadas em um modelo de negócio ágil.

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